A língua.

Posted in canto, caráter, emoção, estímulos, expressão, força, linguagem with tags , , , , , , , , , , , , on fevereiro 24, 2011 by ESTELA ALMEIDA

A língua ,é indubitavelmente a parte do corpo que; tem carne,e sem ela ,aí já é questão de sobrevivencia ,há  pessoas que falam demais, outras  que mal abre a boca ,venhamos e convenhamos que, deveria haver padrão; por via de regra falar é bom, mas quando o assunto é  falar mal, criticar se torna algo muito difícil. Muitas das vezes calar é preciso.

Em provérbios fala muito sobre este tema ” a língua é a lança do pecado” e esta é a parte mas pequena, e que pode fazer um grande estrago como por exemplo quando alguém te calunia, te defama e tantas outras coisas; o preconceito, o racismo e a intolerância racial essa é repugnante.Tome cuida com julagamentos precipitados, com palavras mal dizentes que; ao  abrir a boca a lingua torna ferina ou abençoadora, faça a sua escolha veja que as palavras depois de proferidas elas se tornam carne;palavras que machucam e matam  e não há meio de reparação.Pense nisto respeite o próximo, conserve a língua na boca e de preferência em silêncio.

A língua também pode ser; uma “fonte”  de prazer, na troca de carinho ao falar ao bem amado, palavras de doçura e, também  ao querer  ” seduzir” isto é  ao garantir  que a mensagem seja ouvida deixando o receptor feliz, garantindo paz e harmonia.

É tempo de crescer.

Posted in ação social, atitude, auto- estima, úteis, caráter, Classe social, comentários, conceitos, confiança, Cultura, Deus, dia- a dia, diferenças, educação, expressão, gente, igualdade racial, informação, liberdade, medo, oportunidade, preconceito, Raça, racismo, sociedade, unidos por uma educação, verdade, vidas with tags , , , , , , , , , , , , , , , on janeiro 27, 2011 by ESTELA ALMEIDA

É tempo de crescer e saber que nem tudo que ouvimos é verdadeiro.

Por achar que, se sabe mais ou que, se desconhecem certos fatos, excluímos pessoas julgando-as inferiores, mas as coisas não são bem assim. Por saber, ou estar adiantados é que se deve corrigir aos atos da discriminação, o correto é olhar para si e enxergar que não são melhores por saber mais, e sim diferentes. Faça a diferença ajude aqueles que são menos favorecidos. A vida nos gratifica em sermos sábios no convívio com o próximo, na valorização a vida.

Tudo que se aprende; é para que a cada dia seja melhor e resgatar os valores perdidos que, tantas vezes são deixados para trás. Ser melhor é responsabilidade de cada um de nós, mas ser feliz só você tem a capacidade de conquistá-la.

Não deixe que o preconceito, o racismo, a intolerância ocupe sua vida como o principal aliado para a infelicidade de alguns.

Seja constante em fazer o bem, propagar a luz, a alegria; sorrindo para aqueles que se acha melhor, claro que há momentos que não estamos no melhor dia, mesmo assim; esteja aberto ás mudanças de crescimento. Policie seus pensamentos não permitindo que a insensatez roube sua alegria ,o azedume contagia, fuja de tudo que é contra ao amor.

No Morro do Alemão.

Posted in ação, autoridades, úteis, cidade, Complexo do Alemão, comunicação, comunicar, confiança, coragem, Crônica, crônica humorìstica, crianças, descaso, documentário real, emergência, emoção, eventos, expressão, gente, governo, histórico, Imagens, indiferenças, informação, infortúnio, internacional, manchete do dia, mídia, medidas afirmativas, mobilidade, morte, nacional, pública, peça chave, PortuguêsComplexo Alemão, vidas with tags , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , on dezembro 21, 2010 by ESTELA ALMEIDA

Tudo, ou quase tudo, tem nome; e morro tem nome, e pertence á alguém?

Sempre me pergunto quem é esse Alemão, e porque tem de serem os “gringos” a ser dono do que pertence ao Brasil?

È muita sacanagem, mas também pudera tudo o que não presta está aqui; graças a Deus toda essa porcaria é de alguém da Alemanha.

Bem, o que sabemos é que esse tal desse morro, fica no Rio de Janeiro sede central dos traficantes.

Os traficantes e policias guerrilham na disputa pelo poder, um pela passagem “livre” da droga e o outro se defende; bandido tem que morrer. Aí a guerra começa.

Quando o bandido não satisfeito vê seu adversário invadindo o seu pedaço o bicho pega, e pega feio, é bala para todos os lados.

Um atira impondo ordem, o outro quem manda aqui sou eu, esse morro é meu.

Policiais civis, aeronáutica, exército, marinha todos pelo poder e, botar os bandidos prá correr.

Mas não é que um policial que mal se ouviu falar dele, e , o coitado que nunca ouviu dessa palavra “sorte” é que comandou a maior façanha? Deu dois tiros como se dissesse hoje eu arregaço esse morro, mas que esse infeliz vai pros quinto do inferno, ah vai.

Quem é esse ordinário, prá invadir e não pagar imposto? E sair fazendo arruaceiro, escandalizando o meu barraco?

Vou chamar os trutas, logo agora que a copa vai ser no Brasil e eu tenho a chance de ser famoso ( a segurança pública) ,pensou.

O bandido envergonhado saiu em disparada, pernas prá que te quero. Só se restaram as sandálias do infeliz.

Logo adiante na divisa entre um morro e outro, que é o Morro da Carrocinha,  outro bandido foi pego, esse é o mas perigoso,  estava em semi aberto acusado de matar o jornalista TIM Lopes esse  foi exibido como troféu pelos policias e pela imprensa sensacionalistas que o   exibem como drogados pela falsa moralidade.

Bandido tem que morrer? Agora, a segurança pública funcionou, sim porque houve união, e em defesa dessa gente tão sofrida que vem de longe na esperança de tentar a sorte e bandido sufocando sua paz?

Hoje esses pobres nordestinos, negros, e tantos outros sem condições, como assim, são discriminados, invadem o morro para conseguir um buraco para sobreviver; conviviam com esses bandidos, sendo coagidos, se submetiam  aos caprichos deles,sendo muitas vezes pressionados a venderem drogas deixando seus filhos expostos as mazelas da vida ,hoje sorriem e aplaudem a segurança pública, que entenderam que pobre tem vez, e merecem serem felizes.

Enquanto a real paz reine de verdade, essa é realmente a verdadeira  justiça que reine, perante aos homens e de Deus, a misericórdia de todos os dias.

Mas afinal de quem é esse morro, e quem é esse Alemão?

Você quer pimenta?

Posted in Classe social, comunicação, crítica, Crônicas, crianças, dia- a dia, expressão, geração y, informação, liberdade de expressão, linguagem, opinião, situações engraçadas, unidos por uma educação, versatilidade with tags , , , , , , , , , , , , , on novembro 24, 2010 by ESTELA ALMEIDA
Crônicas de humor

Crianças e adultos em situaçôes engraçadas.

Crianças são crianças todos sabem, mas que poucos conhecem é o fato delas  terem idéias próprias e por sinal são fenômenos . Pequenas humoristas mirins.

Pois bem, são fatos corriqueiros que não podem ficar despercebidos.

Como já disse  elas estão por toda parte choronas, briguentas e divertidas.

Mas a que eu conheço você precisa conhecer e essa precisa está no seu gibi.

A Isabelle é uma criança meiga, uma criancinha de três aninhos quem á conhece se diverte. Com uma singeleza  que lhe são próprias,juntando com a sinceridade essas são suas melhores qualidades.

Menina esperta, inteligente, indagadora coisa de criança.

Já o Washington esse é uma criança grande.

Todo sonhador  sonha, ele quer ser programador.Embora viva nas nuvens e tirando umas ¨casquinhas ¨ de vez em quando,é gente boa.

  Eu conheço os  dois,  as diferenças são bem parecidas ,são crianças!

Identificados, comparados, pois não.

Eis um fato corriqueiro essa precisa ser sabida.

Duas crianças conversando não são nada estranhas, mas quando a menor tenta ser adulto essa é fenomenal.

Lá vamos tentar desvendar esse mistério.

-No bar do seu pai tem vodka? O Washington puxa a conversa

- Não, têm água. A Isabelle responde

- Têm cerveja?

_ Têm refrigerante.

- Têm 51 (essa é uma das marcas de cachaças)?

A Isabelle finge não ouvi-lo.

O Washington tenta mais uma vez.

- É uma garrafinha transparente, lá têm?

- Têm chocolate.

Não se conformando ele pergunta.

- Parece à casa do  Chaves, lá têm cachaça?

 A Isabelle na mais pura inocência retruca.

- Você quer pimenta?

A mídia e o seu poder de persuasão.

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        Por Estela Almeida

                                                           A mídia tem por objetivo atribuir, os status e prestígios a massa, e a sua função  é comunicar e levar informação por diversos meios de comunicação  que se dá por meio do mediador e do receptor ,a partir daí se dá o processo de comunicação.

  Todo ser humano tem  necessidades físicas,materiais e fisiológicas ,e a de se conectar no mundo, seja por fios ou antenas da TV, da tecnologia,do computador,do celular: que tornou-se indispensável para o mundo moderno, torna-se necessários o uso deste veículo tão poderoso e de rápido  acesso de comunicação que serve tanto para o nosso bem ou para o mal,dependendo como se este meio é usado. A mídia dita todos os dias sejam  nos anúncios, nas propagandas, publicidades, nos meios de comunicação enfim, transforma um bem comum em consumo.

A indústria da cultura impõe, induz e cria hábitos que somos domesticados  a ouvir e consumir o que a mídia reforça  com a pretensa de criar necessidades onde não existem, pois ela só sobrevive através deste fim, criar e gerar estímulos para que os receptores, isto é  a massa humana ,que consuma sem questionamentos,ou reação tornando eficaz o seu uso.

É  como se falássemos e  pensássemos em gastar o tempo todo , pois o que a mídia quer é que sejamos consumistas  pois a sua divisão de tarefa é exatamente esta, é o seu papel fazer com que todo produto de cultura se transforme em produtos que   muitas vezes são barateado,massificados  com a falsa esperança que até nos otimiza; a  mídia faz parte de tudo isto é o ditado “consumo logo existo” .

Somos manipulados, e até induzidos, pois funcionamos  de acordo com  os excessos que na maioria das vezes somos narcotizados com funções sensacionalistas das máquinas da informação que se diz entretenimentos mas na verdade  são meios da “alienação” que se chama de essa tal mídia de olhos e ouvidos da sociedade.

Crendo que temos o poder de opinião, somos os superpoderosos, temos em mãos como reagir a tudo o que nos classificam de “burros”, bobos e tantas outras coisas fazendo-se conhecedores desta verdade e das reais intencionalidades, diferenciando quem é o “capataz” que compõem a este cenário fazendo valer que o povo sou eu.

                                                                                                                      

Pesquisa de campo.

Posted in antropologia, calamidade, cidade, Classe social, conceitos, crítica, crianças de rua, descalço, descamisados, descaso, desespero, diferenças, documentário real, doenças incuráveis, emergência, especial, exclusão, gente, governo, indiferenças, infortúnio, injustiça, medo, metô, morador de rua, nacional, pública, pele, perdas, ruas with tags , , , , , , , , , , , on setembro 30, 2010 by ESTELA ALMEIDA

  

Moradora de rua sem destino dorme nos vagões da CPTM.

 

Saindo ás rua ;e observando diariamente a rotina dos moradores de rua observamos que, muitos vão morar nas ruas devido ao conflito que eles convivem com seus familiares alguns; deixam suas casas seus confortos, por serem maltratados ou pela ganância do dinheiro, pois, alguns destes que fazem parte desta tribo possuem na maioria das vezes certo grau de estudo, por exemplo: Srº José (nome fictício), pois não quer se  identificar  nos conta que -“Minha mulher e meus filhos só interessavam pelo meu salário e nem se interessavam o estresse que eu passava na empresa…”. O senhor José era professor conceituado da Usp( Universidade de São Paulo),descobrimos que  depois de  trocar conversas e ganhar a sua  confiança, e que conseguimos saber dele ,pois ele empregava bem as palavras e nos contou um pouco da sua história de vida,ele têm 47 anos,e no mês que vêm no dia 20 de outubro completará 48 anos e recorda com tristeza o que deixou para trás,depois falou o que mais gostava é ouvir seu radinho de pilha e que todos os dias ouve  a CBN (Central Brasileira de Notícias) ás quatro da manhã.Devido ao hábito da bebida e ao vício do cigarro ele sofre de pneumonia, perguntei como ele consegue cigarros e a bebida ,ele responde “Àh isso eu tenho todos os dias,ganho uns trocados..”  

Há cinco anos saiu de casa, foi trabalhar e nunca mais voltou pergunto se tem vontade de voltar diz que -“Às vezes sinto falta da cama, do conforto, mas do que adianta se o interesse é maior… É triste (suspira e balança a cabeça como se para afugentar as lembranças), agente trabalha e começa a entender que não valemos nada…” diz referindo-se pelo sofrimento que ele passa nas ruas da Pça  da Sé.  

São exatamente 22h55, levo comida á uma moradora de rua e procuro conversar com ela primeiro ela rejeita a comida e diz que não quer por que é macumba (“ela está delirando, conversando sozinha pronunciando palavras sem nexo-” Você não vai me matar, não fui eu que fiz eu vi vocês…) e sai correndo com medo de ser pega.  

Dias depois converso com um grupo que estão bebendo cachaça, pois ao invés de alguém dar-lhe água dão -lhe cerveja, pinga menos algo que modifiquem a vida destas pessoas e o engraçado é que eles agradecem e ainda dizem- “È o que nos dão vamos beber assim ficamos alegres e nos conforta é o que nos aquecem pois os moradores o que mais passam é sede e frio.”  

Ficamos sabendo que muitos são estuprados e muitas vezes assaltados por outros moradores das praças, tem as classes que vêm pedir esmolas e os familiares vêm buscar (pois notamos que ás vezes Sº Francisco Alves está limpo) ele nos disse que não gosta do genro por isso vive nas ruas.  

Existe o grupo dos moradores que são discriminados pelos próprios colegas de calçadas,são insultados com á alegação que vão tirar o ponto do outro e que ali vai atrapalhá-lo de ganhar umas moedas.  

Morador de rua porquê  convivem  nas ruas e não porquê moram nelas, e que estão sujeitos as doenças e ao jogo do destino e da sorte se que têm alguma,a rotina do xadrez onde o tabuleiro é a vida a sorte as damas,as rainhas.. também eles precisam disputarem uma cama,um banho,e um prato de sopa nos albergues de São Paulo na Av Santo Amaro, isto é, se chegarem exatamente ás até 17h00 pois a fila é extensa e têm senha e quando é ás 6 da manhã são obrigados a saírem e voltarem para as ruas novamente ,alguns arriscam-se a dormirem no metrô como a dona Maria de  65  anos ela vai do começo da estação da Estação Sé até a última sem que nenhum guarda descubra mas, chega uma hora que os guardas da linha da CPTM vem e, a acorda pedindo para ela ir embora e têm que ir,infelizmente ela depara com outra realidade para onde eu vou?Sem saber para onde ir com seu carrinho de feira um travesseiro,umas cobertas, um pente de cabelo,e algumas roupas surradas com o tempo ela vai subindo as escadas em direção á um destino incerto pois todos os dias é tumultuado e com várias interrogações interrogações.Tento puxar  conversa mas ela está alheia a tudo e a todos pois o abandono é que predomina em seu semblante,não sei exatamente se ela é bonita ou feia só notamos que ela é uma senhora indefesa e triste.  

 Se é que existe os Estatutos do Direitos do menor, do idoso onde estão dessas pessoas nesse momento?  

Está na hora do governo enxergar as reais prioridades e tentar de alguma forma solucionar esse problema sei que não é do dia para noite que isso se resolva mas existe o princípio…  

 

   

Nas ruas do Brasil, crianças invisíveis

Posted in calçadas, cidade, Classe social, descamisados, desespero, diferenças, indiferenças, infortúnio with tags , , , , , , , , , , , , , on setembro 27, 2010 by ESTELA ALMEIDA
Foto tirada por Estela Almeida

        reportagem de  Marcelo Santos     

 Nas ruas do Brasil, crianças invisíveis

 Murilo é um menino curioso. Tem 11 anos e é conhecido como alemão, por conta de seus cabelos loiros e pele clara. Gosta de conversar, brincar e contar piadas. Laura é vaidosa, usa batom, brincos e diz ter 16 anos, mas não aparenta mais de 13. Sua diversão preferida é fazer de conta que é modelo. Uelinton, de 11, é tímido e calado, mas adora brincar de pega-pega e polícia-e-ladrão com seu amigo Fabrício, de 13, que ostenta, orgulhoso, um sorriso maroto e um bigode bem ralo de quem começa a viver os primeiros dias da adolescência.
Laura tem nas mãos fotografias. Diz que um homem sempre a procura por lá para tirar fotos suas. Em troca, a deixa ficar com algumas cópias, onde ela aparece sorrindo e em poses erotizadas.
Todas essas crianças, que tiveram seus nomes trocados nesta reportagem, moram juntas. Quando faz calor, brincam. Quando o tempo está frio ou chuvoso, preferem se agasalhar com um cobertor e observar o vaivém constante dos automóveis que passam diante de sua casa, que na verdade é apenas um chão de terra coberto com um tecido esfarrapado sob um viaduto na região do Vale do Anhangabaú, no centro da cidade de São Paulo. São crianças que dormem nas ruas, em total vulnerabilidade.
Entender o perfil delas não é nada simples. Não há uma metodologia única, em todo o país, para estudar quem e quantas são, ou mesmo como sobrevivem. Elas não estão nos censos promovidos pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), e as informações sobre esse fenômeno urbano normalmente repousam nas pastas das secretarias de assistência social dos municípios.
Segundo estimativas da Campanha Nacional Criança Não é de Rua, uma iniciativa de organizações da sociedade civil e do poder público, cerca de 25 mil crianças passam as noites nas ruas das cidades brasileiras. O total é incerto, porque a maioria dos municípios não conta com uma pesquisa sobre o tema. “Sabemos quantas cabeças de gado andam nas pastagens do país, mas não podemos dar um número certo de crianças nas ruas simplesmente porque esse dado não existe”, afirma Bernardo Rosemeyer, coordenador da campanha e dirigente da ONG O Pequeno Nazareno, de Fortaleza, que atende 110 crianças ex-moradoras de rua. Na capital do Ceará, há cerca de 300 vivendo nas ruas. Foi a partir dessa experiência de recuperação que, em 2005, nasceu a mobilização. Lançada no Senado Federal, na Comissão de Assuntos Sociais, a rede já se espalha por 21 estados. “Não podemos conviver com o fato de crianças morarem nas ruas. O direito natural de alguém nessa situação é ter oportunidade de mudar sua trajetória”, diz Rosemeyer.
São quatro os principais pontos defendidos pela campanha: a necessidade de dados concretos sobre o número de meninos e meninas nas ruas; a adoção de uma conceituação única sobre o que é uma criança em situação de rua; a presença de educadores capacitados, que possam conhecer o histórico de vida dessas crianças, e um investimento maciço em suas famílias. “Se elas não podem retornar a sua casa, então o país está pisoteando um direito básico, que é o do acolhimento.” Rosemeyer espera reunir representantes de todo o país em 2009 para reivindicar do governo federal uma política nacional de combate a essa situação enfrentada por crianças e adolescentes.
Para se ter uma ideia de como o Brasil tem tratado a questão, a primeira pesquisa nacional sobre a população de rua, concluída no início de 2008, deixou de fora dados sobre menores de idade. A explicação do Ministério do Desenvolvimento Social para essa lacuna foi que já havia diversas ações voltadas para esse público.
Na cidade de São Paulo, estima-se que cerca de 2 mil crianças vivam pelas ruas. Dessas, pelo menos 400 moram sob viadutos, praças ou dormem nas calçadas. A informação é da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe), que a pedido da prefeitura municipal realizou em 2007 o Censo de Crianças e Adolescentes em Situação de Rua na Cidade de São Paulo. Segundo o levantamento, foram contadas, durante uma tarde de sexta-feira, 1.842 crianças e adolescentes morando ou trabalhando na rua, na capital. “Podemos identificar três grupos de crianças: as que voltam todos os dias para casa e mantêm seus vínculos familiares; as que já perderam os laços com a família e moram na rua e por fim aquelas que estão no meio do caminho. Passam dias longe de casa, retornam e depois voltam às ruas”, observa a coordenadora da pesquisa, Silvia Maria Schor, professora da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade da Universidade de São Paulo.
O levantamento mostrou que 16% dos meninos e meninas tinham até 6 anos de idade. A maioria – 55% – estava na faixa entre 12 e 17, e 29%, entre 7 e 11 anos. “A permanência de crianças nas ruas é uma tragédia evitável. É uma situação que reflete claramente a problemática familiar. Em grande parte dos casos, no entanto, os conflitos e dificuldades podem ser solucionados ou minimizados, desde que o poder público se empenhe na criação de políticas que, efetivamente, respondam às demandas dessas famílias”, afirma Silvia.
A professora acredita que as atuais políticas apenas escondem o problema. “Se não houver um trabalho sério, essas crianças apenas sairão de um lugar para aparecer em outro.” Das crianças e adolescentes ouvidos por Silvia e sua equipe, 50% afirmaram voltar para casa todos os dias, enquanto 27% retornam uma vez ou menos por semana, e o restante, 23%, não fazem isso nunca. O tempo médio de vivência nas ruas é de três anos. “A gente não tem nenhuma informação sobre o que acontece com essas crianças depois que elas deixam as ruas. Não há dados precisos se elas voltam para casa, são institucionalizadas ou acabam morrendo”, admite Silvia.
Violência
Na sede do Projeto Meninos e Meninas de Rua, em São Bernardo do Campo (SP), uma página do Estatuto da Criança e do Adolescente manchada de sangue está emoldurada na parede, como uma triste ilustração do destino dessas crianças. “Isso [a mancha de sangue] ocorreu quando um menino de nosso projeto foi abordado por policiais militares. Ao ser revistado, ele mostrou o Estatuto para os agentes, que ficaram enraivecidos pela ‘arrogância’ do menino em reivindicar seus direitos. Bateram a cabeça dele no chão e gritaram: ‘Seu direito é este!’, enquanto lhe esfregavam o papel no rosto ensanguentado”, explica Marco Antonio da Silva, coordenador da ONG. Pouco mais de um ano depois, o mesmo menino foi encontrado morto, e os assassinos nunca foram identificados. “Na rua essas crianças estão sujeitas a todo tipo de agressão. São expostas à violência e é comum que reproduzam isso como forma de sobrevivência. Mas, é só olhar, são apenas crianças”, explica Marquinhos, como gosta de ser chamado.
Marquinhos tem 39 anos, mas já viu e viveu boa parte da história dos direitos das crianças e adolescentes no Brasil. Passou seus dias de menino nas ruas de São Bernardo do Campo, onde vivia e trabalhava. Foi um dos primeiros participantes do Projeto Meninos e Meninas de Rua, instituição que nasceu no ABC Paulista e em 2008 completou 25 anos, com uma trajetória de atuação na defesa dos direitos de crianças e adolescentes. “Tudo começou quando religiosos, universitários e outros voluntários começaram a ir às ruas para saber quem eram essas crianças. Era um ato político. Imagine: um ‘cidadão de bem’ sentado ao lado dos ‘moleques’ nas ruas”, relembra.
 Logo o grupo se organizou nacionalmente. Em 1986, com o apoio de outras instituições, como a República do Pequeno Vendedor, de Belém, 430 crianças e adolescentes em situação de rua foram levadas a Brasília, onde aconteceu o primeiro encontro nacional. “Não existe nada parecido na história: um grupo de crianças em situação de alta vulnerabilidade se reunindo para discutir seus direitos como cidadãos.”
O encontro voltou a acontecer em 1989, dessa vez para denunciar o assassinato de crianças nas ruas. “Levamos 40 nomes apenas aqui do ABC. Entre eles, os da Chacina dos Vianas”, lembra Marquinhos. “Chacina dos Vianas” foi o nome dado ao assassinato de 6 meninos, no dia 3 de setembro de 1987, na sede do projeto, que na época ficava na Rua dos Vianas, no centro de São Bernardo do Campo. Eles estavam dormindo quando um grupo armado invadiu o local e os matou. “Aconteceu no lugar onde, em tese, deveríamos protegê-los”, lamenta.
A segunda edição do encontro serviu para trazer a público a situação de violência a que as crianças moradoras de rua eram submetidas, principalmente por grupos de extermínio pagos por comerciantes para “dar um sumiço” nos garotos. “A Anistia Internacional criticou o Brasil, alegando que o país havia descoberto um modo de resolver o problema das crianças de rua: matando-as”, lembra Marquinhos, explicando que as denúncias serviram também para que o governo federal assumisse um compromisso, por intermédio da Convenção Internacional dos Direitos Humanos, com a Organização das Nações Unidas (ONU) para melhorar a situação da infância no Brasil.
 Atraso
 Se cumprisse o acordado, o Brasil teria de, pelo menos, encaminhar a cada cinco anos um levantamento sobre a situação da infância no país à ONU. “Ocorre que, desde 1990, data de assinatura do compromisso, o país encaminhou apenas um relatório. Esse documento é uma espécie de prestação de contas sobre as obrigações assumidas”, explica Djalma Costa, coordenador da Associação Nacional dos Centros de Defesa da Criança e do Adolescente (Anced). “Há diversos grupos de crianças nos quais houve pouco avanço. Um deles é o daquelas em situação de rua, que são as mais vulneráveis.”
Entre as instruções da convenção está a criação de um plano nacional de proteção aos direitos das crianças. “É uma recomendação da ONU. O país precisa ter uma estratégia para conjugar todos os esforços municipais”, explica Costa. Outro importante ponto que também não é respeitado é a instituição de um órgão suficientemente independente e ágil, capaz de fazer valer os direitos das crianças em situação de rua. “Não há nenhuma instância que possa obrigar um prefeito, governador ou presidente a cumprir a determinação imediata de que nenhuma criança esteja nas ruas. Você pode até ir à Justiça, mas isso levará tempo.” Segundo ele, é essa falta de responsabilização que faz da questão um “jogo de empurra” ou dá origem a políticas de cunho estético, que buscam apenas “maquiar” o problema.
Não é apenas no Brasil, porém, que crianças vivem nas ruas. O fenômeno atinge meninos e meninas de diversas partes do mundo, principalmente nas capitais dos países mais pobres. Segundo estimativas da ONG inglesa Consortium for Street Children, há no Quênia 250 mil crianças nessas condições; na Etiópia, 150 mil; em Bangladesh, 445 mil e na Índia, 11 milhões. O antropólogo Benedito Rodrigues dos Santos comparou as crianças de São Paulo com as de Nova York e publicou as conclusões em sua tese de doutorado pela Universidade de Berkeley, na Califórnia. De acordo com ele, os meninos e meninas de rua brasileiros e norte-americanos apresentam semelhanças na forma como fogem de casa e como se mantêm nas ruas.
 Entre as crianças entrevistadas nos Estados Unidos, 50% afirmaram ter deixado sua casa devido à violência doméstica, e apenas 7% reclamaram da questão econômica. No Brasil os números são de 60% e 40%, respectivamente.
 A grande diferença, segundo o antropólogo, está no enfrentamento do drama. Em Nova York, há políticas como o pagamento de US$ 600 mensais para casais que desejam acolher um menor que tenha saído de casa e por algum motivo não possa voltar para lá, além de uma rede de abrigos com boa infraestrutura e recursos. Já em São Paulo, a prefeitura conta apenas com o programa municipal São Paulo Protege, que funciona por meio de abordagens nas ruas, feitas por educadores, mas cujo atendimento não dá conta do número necessário de crianças.
 Quando há interesse voluntário dos meninos e meninas pela rede de abrigos, eles são encaminhados a um dos Centros de Referência da Criança e do Adolescente (Creca). A cidade conta com 18 casas desse tipo. “As crianças deveriam ficar, no máximo, dois meses, e depois ser reinseridas em sua família ou encaminhadas para um abrigo. O problema é que os abrigos estão todos cheios, e muitas não podem retornar a seu lar”, explica Marilia Mastrocolla de Almeida, coordenadora de um Creca no centro da cidade. São 25 crianças no antigo casarão. Lá elas não têm uma rotina planejada. “Normalmente passam o dia assistindo à televisão ou brincando”, explica ela. É uma opção mais digna do que morar nas ruas. “Mas, infelizmente, muitas crianças nos procuram e nem sempre podemos acolhê-las, devido ao limite de vagas.”
Casa vazia
Na opinião de Irene Rizzini, do Departamento de Serviço Social da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio) e diretora do Centro Internacional de Estudos e Pesquisas sobre a Infância (Ciespi), o país não está conseguindo enfrentar adequadamente o problema. “Estudos mostram que o ‘ir para as ruas’ é um processo que começa com a ausência de recursos em casa ou mesmo com a questão que identificamos como fenômeno da casa vazia”, explica a pesquisadora, autora de Vida nas Ruas – Crianças e Adolescentes nas Ruas: Trajetórias Inevitáveis? Segundo ela, muitos pais passam os dias fora e deixam as crianças sozinhas, sem a supervisão de um adulto. “Isso é um grande facilitador, causado principalmente por questões econômicas. A casa vazia tem até um sentido simbólico, já que demonstra que não existe preocupação com o desenvolvimento da criança.”
 A pesquisadora observa também que o cenário tem piorado nos últimos 20 anos, desde quando começou a se dedicar ao estudo desse fenômeno. “Hoje existem crianças muito jovens, com 7 ou 8 anos, que já têm acesso a armas e drogas, como o crack. É uma situação absolutamente dramática”. Ela lamenta também o provável desfecho da história da maioria das crianças. “Elas correm um risco altíssimo de não sobreviver.”
 Mesmo com esse prognóstico sombrio, as ruas continuam exercendo fascínio sobre os meninos e meninas do país, que buscam nos grandes centros uma atitude de afirmação contra toda sorte de abusos e ausências. É o que acredita o psiquiatra Auro Danny Lescher, da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e coordenador do Projeto Quixote, que atende crianças e adolescentes em situação de rua na capital paulista. Ele entende como uma busca por sobrevivência a ‘fuga para a rua’, mas vê nesse drama uma situação semelhante à vivenciada por imigrantes, exilados, estrangeiros e soldados no front. “É aí que entra o uso das drogas, que têm uma função anestésica. Imagine o que é para uma criança estar no centro da cidade, longe de suas referências e de seus pais”, diz o psiquiatra, ao explicar por que 90% das crianças e adolescentes em situação de rua usam drogas.
Lescher sugere que deveria ser atribuído a essas crianças o mesmo status humanitário dos refugiados urbanos, capacitando-as a receber a proteção e ajuda que a ONU disponibiliza a quem foge de um conflito armado, por exemplo. Ele recorre a seu personagem literário predileto, dom Quixote, para refletir sobre o drama urbano. “Quixote só recobrou a lucidez pouco antes de morrer. Fica uma pergunta para nossa sociedade em relação às crianças: será que voltaremos à lucidez a tempo de mudar a situação atual, ou morreremos sem ver essa transformação?”, questiona, indignado com a brutalidade urbana.
 
Criança se encolhe diante da brutalidade e passividade urbana 
 
Marcelo Santos – jornalista
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